Levantamento de requisitos: boas práticas para não errar o alvo
Como conduzir o levantamento de requisitos de um software, envolvendo usuários, documentando regras de negócio e evitando mal-entendidos que custam caro depois.
3 min de leituraPor Equipe CavData
Grande parte dos problemas em projetos de software não nasce no código, e sim no entendimento do que deveria ser construído. Um requisito mal compreendido pode gerar semanas de retrabalho. O levantamento de requisitos é a etapa que traduz necessidades de negócio em uma descrição clara do que o sistema precisa fazer.
Requisitos funcionais e não funcionais
Funcionais
Descrevem o que o sistema faz: cadastrar clientes, calcular comissões, emitir relatórios, enviar notificações.
Não funcionais
Descrevem como o sistema deve se comportar: tempo de resposta, disponibilidade, segurança, compatibilidade com dispositivos, quantidade de usuários simultâneos.
Os requisitos não funcionais costumam ser esquecidos, e são justamente os que causam problemas quando o sistema entra em uso real.
Quem envolver
- Patrocinador: quem define os objetivos e prioridades.
- Usuários finais: quem vai usar o sistema no dia a dia. Eles conhecem as exceções e os atalhos.
- Áreas impactadas: setores que recebem ou enviam informações para o processo.
- Responsáveis por sistemas existentes: para entender integrações e restrições.
Ouvir apenas a liderança costuma gerar sistemas que funcionam no papel, mas não na prática.
Técnicas úteis
Entrevistas
Conversas estruturadas com cada perfil de usuário. Pergunte sobre o trabalho atual, as dificuldades e os casos especiais, e não apenas sobre o que esperam do sistema.
Observação
Acompanhar o trabalho acontecendo revela detalhes que ninguém lembra de mencionar.
Análise de documentos e planilhas existentes
Planilhas e formulários atuais escondem muitas regras de negócio. Examinar fórmulas, validações e campos ajuda a entender o processo real.
Workshops
Reunir diferentes áreas para desenhar o fluxo em conjunto ajuda a alinhar expectativas e a resolver conflitos de entendimento cedo.
Protótipos
Mostrar telas, mesmo simples, provoca reações muito mais precisas do que descrições em texto.
Como documentar
Histórias de usuário
Um formato simples e eficaz: "Como [perfil], quero [ação] para [objetivo]". Exemplo: "Como coordenador financeiro, quero aprovar reembolsos pelo celular para não atrasar os pagamentos quando estou fora do escritório."
Critérios de aceitação
Para cada história, condições objetivas que indicam que ela está pronta. Exemplo: "Reembolsos acima do limite definido exigem aprovação de um diretor."
Regras de negócio
Cálculos, validações e políticas devem estar escritos de forma inequívoca, com exemplos.
Glossário
Termos como "cliente ativo" ou "pedido concluído" podem ter significados diferentes entre áreas. Um glossário evita mal-entendidos.
Erros comuns
- Descrever soluções em vez de necessidades. "Quero um botão vermelho" diz menos do que "preciso cancelar um pedido rapidamente".
- Ignorar exceções. Os casos raros costumam ser os mais complexos.
- Tratar requisitos como definitivos. Eles evoluem à medida que o projeto avança e o entendimento melhora.
- Não validar o entendimento. Repita com suas palavras o que foi entendido e confirme com quem pediu.
Requisitos são uma conversa contínua
Em abordagens ágeis, o levantamento não acontece apenas no início. Ele se repete a cada ciclo, com detalhamento progressivo. O importante é ter clareza suficiente para começar e canais abertos para ajustar o entendimento ao longo do projeto.
A CavData conduz o entendimento do processo antes de desenvolver. Conheça o serviço de desenvolvimento de software sob medida.
